sexta-feira, 13 de maio de 2011

AS VIAGENS SÃO PARA SEMPRE!

Viajar é uma das coisas que mais amo na vida. Sou viajante de alma livre, pois sigo aberta, não só por conhecer novas paragens, como descobrir comidas diferentes, pessoas desconhecidas, captar culturas, costumes e línguas, estranhas à minha.
De novo me lancei nessa aventura, que é descobrir novas paisagens. Talvez, meus genes lusos, me levem sempre ao “mar bravio”, e lá vou eu, navegante do século XXI, “conquistar” novos mundos...
Tenho uma quedinha pela Europa. Essa velha senhora mora no meu coração desde sempre. Troquei uma viagem ao Japão por mais uma ida a Europa, alguns anos atrás.
A Europa sempre me fascina, e lá vou eu invadir novos países, ou rever os já conhecidos. E nunca me arrependo. Chego até a ter um sentimento de culpa, quando troco esse continente pelos Estados Unidos ou mesmo o Canadá.
No final de março, lancei-me ao mundo. Conheci o Leste Europeu, e fui, de novo, a Viena, Londres e a cidade mais linda do mundo, do ponto de vista arquitetônico e de charme: Paris.
Em termos de belezas naturais, o meu Rio de Janeiro ganha de todo o mundo. Em segundo lugar, fica o restante do Brasil, um país lindo de norte a sul...
Em minhas anotações, me sinto uma verdadeira bruxinha, ao flagrar o cotidiano dessas localidades, buscando sempre mais.
Amo me perder entre vielas, esquinas e praças. Ficar sentada num parque, café, num degrau, num adro de Igreja, vivendo a vida do lugar. Adoro andar, andar, vendo e sentindo tudo...
As idéias explodem dentro de mim, numa vontade de perpetuar o momento. Parar o tempo. Fico pensando como traduzir meus sentimentos para o papel, em falar de algo que é tão abstrato, pois é paixão.
Como dizer que fiquei emocionada no Santuário da Virgem Negra, na Polônia, diante de um enorme missa, rezada por quatro padres e pessoas fora da igreja, de tão cheia que estava; e eu fixada numa senhorinha de uns 80 anos, que, ao me perceber, deu adeusinhos pra mim, me deixando comovida por tamanha doçura...
Como explicar os bandos de jovens italianos em férias de Páscoa, em Praga, cantando pelas ruas, fazendo com que eu sentisse como se os anjos existissem.
Como não perceber, sentada num café em Paris, o passeio de crianças de uns quatro anos, levadas pelos professores, todos de mãos dadas em dupla, com brilho no olhar, ao descobrirem um mundo diferente, além dos muros da École maternalle...
Presenciar uma sexta-feira à noite, na cidade universitária de Cracóvia, toda a efervescência, apesar do frio, dos pubs, restaurantes, bares a luz de velas, repletos de canções, murmurinhos, calor humano que me fizeram sentir parte dessa tribo.
Sentar tranquilamente num parque em Viena e receber de volta a visão privilegiada das carruagens, com belos cavalos, simplesmente passando...
Como fica esse coração carioca, quando é convocada por um local pra passar uma informação e não saber falar a língua do país...rs
Como desconhecer o pedinte francês, sentado no chão, com seu cão dormindo ao colo e um guarda chuva aberto, pra que o sol não incomodasse o amigo canino...
Como não conversar com aquela idosa espanhola, vivendo em Paris há mais de 50 anos e, junto dela, um jovem tunisiano, funcionário de um supermercado, onde fiquei mais de uma hora, conversando em três línguas distintas, com uma vontade enorme de saber, conhecer, comunicar...
Como não pedir ao imigrante, oriundo de Caixas do Sul, trabalhando num restaurante em Berlim, para fotografar comigo, depois de um grande papo...
Como não ficar mexida, diante de uma jovem brasileira, num monumento da Polônia, ao vir correndo ao nosso encontro, perguntando se éramos do Brasil...
Ela estava há dois meses por lá, onde ficará durante todo um ano para estudar. Não agüentei e dei-lhe um abraço. Ela me devolveu, dizendo que eu ainda tinha o cheirinho do Brasil...
Como não perceber que existem tantos japoneses no mundo e que eles fotografam até túnel...rs
Como não sentir carinho por tantos casais de namorados, de todas as idades, cores, condições financeiras, nos parques, gramados, metrôs, que me brindavam com beijos apaixonados e lindos de se ver...
Como não agradecer a mulher que perguntou no metrô de Paris, se eu queria ajuda, depois de descer numa estação errada...
Com certeza, meu olhar aflito e o mapa na mão devem ter chamado atenção, mas ela parou e me deu atenção, foi gentil, carinhosa, até...
Como não se apaixonar por tantos músicos na rua, fazendo com que a minha viagem tivesse trilha sonora, da melhor qualidade...
Como não agradecer à vida, por assistir um concerto em uma igreja de mais de 600 anos, em que foram tocadas e cantadas, várias ave marias...
Como não arriscar a vida e me pendurar na janela do quarto do meu hotel, pra fotografar a Maratona de Paris, que passava na minha porta, apesar de estar de camisola transparente e ter uma platéia em frente da janela, tirando foto da minha loucura...
Como posso esquecer o senhor Tcheco, que falando italiano me desafiou a dizer os nomes dos jogadores da seleção brasileira da década de 70 que, é claro, eu não sabia... rs
Como esquecer os olhares das crianças polonesas, numa solenidade, na Igreja onde o Papa João Paulo II rezava missa, ao me ver fotografando-as...
Como desconhecer o charme e refinamento dos homens/mulheres parisienses, todos com suas encharpes, chapéus e cigarros, apesar da arrogância...
Como não dançar numa Praça em Viena, ao escutar um músico de rua tocar “Ela é carioca”...
Como não parar pra ouvir aquele cantor solitário, dentro da Estação de Metrô Picadilly Circus, em Londres, cantando ‘I need you’ dos meus amados Beatles? Esse presente eu achei que Deus mandou só pra mim...rs
Como esquecer a vista, dessa mesma Londres, estando na roda gigante, diante do Rio Tamisa...
E aquele olhar moreno pousado no Rio Danúbio, num final de tarde em Budapeste, que foi fotografado pela minha retina e vai ficar pra sempre por lá...
Bem, como todo sonho, eu tive que acordar. Voltei trazendo malas repletas dessas recordações - que muito mais do que bens de consumo - vão ficar marcadas na minha emoção. Essas lembranças não pagam impostos, não são pegas na alfândega, não vão sair de moda, nem um dia irão parar num brechó...
Essas recordações já viraram tatuagens e vão estar pra sempre na minha história.
As viagens, como certos amores, são pra sempre...

7 comentários:

Cris disse...

Loira Carioca, eu tinha escrito um comentário enorme. Vc me conhece muito bem.
Gostamos de falar muito e escrever muito.
Deletei.

Fica o final do que escrevi, pq não cabe mais nada aqui.

São para sempre !

Beijos doces sempre e para sempre!

Loira Paulista

Bandys disse...

Nadia,

Seu blog é já é uma viagem. Tudo muito lindo por aqui.

Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser.
Amyr Klink


Beijos e um dia de lUz!

Amarísio Araújo disse...

Nádia,

Como não se emocionar,não se apaixonar diante de uma crônica assim.Senti-me na viagem,perdendo-me nas mesmas vielas,esquinas e praças e me envolvendo na doçura da viajante que soube tão bem pintar os traços todos da viagem e fez os seres e as coisas se fundirem em um só beleza,coisas de um amor refinado.
Este é um daqueles momentos em que o riso e a lágrima se revestem de uma importância absoluta.
Obrigado pelo prazer da leitura!

Uma linda noite pra você,moça bonita!
Beijos carinhosos!

Phivos Nicolaides disse...

Que bela blog. Nadia, me encantei com as fotos...todas belas. Um feliz final de semana pra você. Parabéns, Beijinhos, Felipe

Joe_Brazuca disse...

Só o seu postado, já nos faz viajar, querida !

e...a Europa é a Europa...e fim de papo !...rsrs

as viagens são como certos amores : imortais !

bjs

Nina disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Walkyria Rennó Suleiman disse...

Ai, Ai...me senti viajando..... vc descreve suas emoções e lugares com tanta graça, que nos carrega!