
domingo, 25 de dezembro de 2011
sábado, 24 de dezembro de 2011
QUASE NATAL !!

Esse post não é meu , mas não poderia deixar de publicar o imenso carinho, em forma de email, enviado por uma amiga especial e querida...
QUASE NATAL !
Espírito de natal? É... nossos corações não podem deixar arrefecer esse sentimento, essa fé nesse bebe que nasce e renasce em nós, que vem e nos diz: eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.
Não podemos deixar de acalentar essa esperança que se revigora e se renova em nosso peito, mesmo quando o mundo nos mostra tantas atrocidades, tantas barbáries e nos coloca frente a uma guerra quase que espiritual, se assim posso dizer.
Quase natal !
Quase 2012, minha Querida e Linda Nádia Cruz !
Quase um novo tempo de um mesmo tempo que apenas muda o número, mas continua se movimentando nessa imensa esfera azul, silenciosa, solta e livre em sua órbita de tantos sonhos e tantos empenhos.
Será Natal, será 2012 e mesmo com as lutas desse meu ( agora nosso ativismo...rs) eu termino este ano mais rica, mais aconchegada, alentada, confiante, inteira e feliz. Mais amada!
Pois é ! Minha querida Amiga, minha irmã de outras vidas, minha confidente. Minha Marida....rs Vim aqui só para agradecer ao Senhor de todos os Mundos por ter-me dado a chance de encontrar com você nesse planetinha, neste mesmo tempo e no instante mágico, lindo, perfeito e verdadeiro de nossas vidas. O instante onde pudemos ter a certeza de que nada é mais forte e mais verdadeiro do que o amor e a amizade.
Pra você, para seu filhote, seu pai, seu irmão, namorado, seus amigos... para todos que moram ai, nesse coração lindo, sincero, íntegro e tremendamente acolhedor eu desejo uma noite de natal abençoada de anjos e luzes de paz.
Um ano novo, novo ano, mesmo tempo, tempo que não conta, tempo que roda no calendário desejo sonhos, desejo realizações, açúcar, amor com loucura, amor de criança, compromisso esquecido, tarefa cumprida, comida pra alma, água para os lábios, beijo na chuva, chuva nos olhos, lágrimas de descanso, descanso de lutas, vitórias de projetos, projetos jogados ao vento !!!
Desejo Deus na sua vida e na vida de todos que você quer bem.
Eu sigo amando você e tendo a certeza de que um dia, em algum lugar foi marcado essa amizade pra lá de incrível !Te amo !Beijos Doces !
Cris Valente Mouta Maluqinha tomando Gardenal.......kkkkkkkkkkkkkk
LOIRA PAULISTA !!
Bem, o que dizer diante de tanto afeto ??!!
Só posso desejar que seu NATAL seja iluminado junto com os amores da sua vida...
Há pouco nos falamos, e brindamos essa amizade de um ano tão feliz e companheira, que parece ter uma eternidade de anos, mas que continua fresca, bela e amorosa.
Que a alegria desse ano possa perpetuar nossa união de amigas, e que venham mais viagens, momentos de emoções positivas, brincadeiras de crianças, realizações de sonhos, algumas "provas" de fogo, risos e lágrimas verdadeiras. E eu que pouco sei dos mistérios da vida, posso afirmar que esse ano foi um dos melhores da minha história, não só por tudo que viajei, mas pela harmonia, paz e amor que tomou conta do meu caminho.
Foi muito bom partilhar isso tudo com você e sentir que, cada vez mais, estamos unidas e amigas.
Então, menina, pega na minha mão e vamos ao encontro de 2012, felizes, alegres, leves, compartilhando afeto, verdades, sentimentos sinceros, cumplicidade e muita vida pela frente...
TE AMO !!!!Beijos, eternamente, doces !!
NÁDIA
domingo, 20 de novembro de 2011
IMPOSSÍVEL NÃO ME APAIXONAR POR VOCÊ, GRÉCIA !!!
Gostar de um país é uma coisa normal, mas ficar apaixonada é outra bem diferente...
No ano passado estive na Grécia, em sua capital e em algumas ilhas, e foi paixão à primeira vista.
Hoje, diante da crise vivida por lá, fico com o coração apertado diante de tais notícias, e me dá uma vontade louca de abraçar, instintivamente, o povo grego, num gesto de carinho e solidariedade...
Fui muito feliz por lá, tudo contribuiu para isso, pois foi uma viagem fantástica, com tempo bom, pessoas ótimas, e cercada da simpatia e do carisma do povo grego.
Espero poder voltar em breve, conhecer novas ilhas, e alimentar mais um pouco essa minha paixão...
Bem, mas esse post não é para falar somente da Grécia, é sim para agradecer a Phivos (Felipe) amigo grego, que, simpaticamente, fez uma homenagem a minha cidade amada - Rio de Janeiro, em seu blog através de fotos minhas.
A você, amigo querido, com o meu carinho, agradeço a divulgação das belezas da cidade maravilhosa, que pertence a todos, e que eu tive a sorte de nascer, e aqui viver...
O meu amor pelo seu país, também, é imenso, e gostaria que os meus amigos fizessem uma visita ao seu blog de viagens...
http://taxidiaris.blogspot.com/
Obrigada, querido!
Beijos
Nádia
No ano passado estive na Grécia, em sua capital e em algumas ilhas, e foi paixão à primeira vista.
Hoje, diante da crise vivida por lá, fico com o coração apertado diante de tais notícias, e me dá uma vontade louca de abraçar, instintivamente, o povo grego, num gesto de carinho e solidariedade...
Fui muito feliz por lá, tudo contribuiu para isso, pois foi uma viagem fantástica, com tempo bom, pessoas ótimas, e cercada da simpatia e do carisma do povo grego.
Espero poder voltar em breve, conhecer novas ilhas, e alimentar mais um pouco essa minha paixão...
Bem, mas esse post não é para falar somente da Grécia, é sim para agradecer a Phivos (Felipe) amigo grego, que, simpaticamente, fez uma homenagem a minha cidade amada - Rio de Janeiro, em seu blog através de fotos minhas.
A você, amigo querido, com o meu carinho, agradeço a divulgação das belezas da cidade maravilhosa, que pertence a todos, e que eu tive a sorte de nascer, e aqui viver...
O meu amor pelo seu país, também, é imenso, e gostaria que os meus amigos fizessem uma visita ao seu blog de viagens...
http://taxidiaris.blogspot.com/
Obrigada, querido!
Beijos
Nádia
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
BEATLES FOREVER !!!

Estou em Liverpool por causa de uma menina...
Essa menina mora dentro de mim e ama os Beatles, apesar de que, quando ela deu conta de si, eles nem mais existiam como banda...
Claro, que não atravessei o oceano apenas pra conhecer Liverpool, já estava nas redondezas, no caminho para Escócia e Irlanda.
Em abril estive em Londres e prometi para “aquela” menina, que, da próxima vez, eu iria dar esse presente a ela.
Aconteceu antes que eu imaginava, e nesse outubro outonal, 6 meses após essa promessa, estou eu diante do meu sonho, ou melhor, do sonho da menina, que ficava com a capa do disco dos Beatles, olhando aqueles cabeludos, enquanto os primos adolescentes cantavam e dançavam.
Liverpool, se não fosse os Beatles, seria mais uma cidade típica inglesa - fria, cinza, sem muita vida. Porém, pra todos que amam os "eternos jovens", é uma visita obrigatória e nostálgica.
É muito bom ver visitantes de todas as idades, unidos pelo mesmo amor, cantarolando suas músicas, fotografando e imaginando os rapazes que lá viveram.
Visitar o Cavern Club, mesmo sabendo que o original foi derrubado, e depois construído no mesmo local, e com os mesmos tijolos, é emocionante.
Tentar viver um passado, não vivido, é uma coisa que nunca curti, porém me dei o direito de sonhar. Sonhar com aquelas músicas, que já não tocavam tanto na minha adolescência, substituída por novas bandas, e outros ídolos.
Então, dei a mão àquela loirinha, fomos nós duas, sem medo de ser feliz, correr atrás dos Beatles, sem gritos, sem choros histéricos, mas com o coração aos pulos de viver uma emoção jamais adormecida, de saber que o mundo nunca mais foi o mesmo depois deles.
Conhecer George Harrison pessoalmente em São Paulo, e ver 4 shows de Paul McCartney, foram outros presentes para aquela que sonhou demais com eles.
Hoje me senti realizada, talvez seja algo tolo, para quem nunca sonhou com o fundo musical dos Beatles, rostos eternamente jovens, cabelos ao vento, corridas nas ruas de Londres e filmes romântico-ingênuos.
Não preciso mais ficar pesquisando no youtube, tentando resgatar um tempo não vivido. Eu vivi, eu estive aqui, pois, de uma certa maneira, eles também estão...
De repente, seremos sempre jovens, nunca vamos nos separar ou ser assassinados por algum fã louco, nem vamos morrer de câncer na garganta...
Ao som dos BEATLES, vou deixar a minha menina nessa cidade, até porque ela não iria querer me acompanhar.
Eu vou envelhecer... e um dia acabar...ela não!
Ela vai ser para sempre, assim como todos os outros que amam os Beatles, pois os sonhos não envelhecem, nem morrem, apenas se renovam...
BEATLES FOREVER!
Essa menina mora dentro de mim e ama os Beatles, apesar de que, quando ela deu conta de si, eles nem mais existiam como banda...
Claro, que não atravessei o oceano apenas pra conhecer Liverpool, já estava nas redondezas, no caminho para Escócia e Irlanda.
Em abril estive em Londres e prometi para “aquela” menina, que, da próxima vez, eu iria dar esse presente a ela.
Aconteceu antes que eu imaginava, e nesse outubro outonal, 6 meses após essa promessa, estou eu diante do meu sonho, ou melhor, do sonho da menina, que ficava com a capa do disco dos Beatles, olhando aqueles cabeludos, enquanto os primos adolescentes cantavam e dançavam.
Liverpool, se não fosse os Beatles, seria mais uma cidade típica inglesa - fria, cinza, sem muita vida. Porém, pra todos que amam os "eternos jovens", é uma visita obrigatória e nostálgica.
É muito bom ver visitantes de todas as idades, unidos pelo mesmo amor, cantarolando suas músicas, fotografando e imaginando os rapazes que lá viveram.
Visitar o Cavern Club, mesmo sabendo que o original foi derrubado, e depois construído no mesmo local, e com os mesmos tijolos, é emocionante.
Tentar viver um passado, não vivido, é uma coisa que nunca curti, porém me dei o direito de sonhar. Sonhar com aquelas músicas, que já não tocavam tanto na minha adolescência, substituída por novas bandas, e outros ídolos.
Então, dei a mão àquela loirinha, fomos nós duas, sem medo de ser feliz, correr atrás dos Beatles, sem gritos, sem choros histéricos, mas com o coração aos pulos de viver uma emoção jamais adormecida, de saber que o mundo nunca mais foi o mesmo depois deles.
Conhecer George Harrison pessoalmente em São Paulo, e ver 4 shows de Paul McCartney, foram outros presentes para aquela que sonhou demais com eles.
Hoje me senti realizada, talvez seja algo tolo, para quem nunca sonhou com o fundo musical dos Beatles, rostos eternamente jovens, cabelos ao vento, corridas nas ruas de Londres e filmes romântico-ingênuos.
Não preciso mais ficar pesquisando no youtube, tentando resgatar um tempo não vivido. Eu vivi, eu estive aqui, pois, de uma certa maneira, eles também estão...
De repente, seremos sempre jovens, nunca vamos nos separar ou ser assassinados por algum fã louco, nem vamos morrer de câncer na garganta...
Ao som dos BEATLES, vou deixar a minha menina nessa cidade, até porque ela não iria querer me acompanhar.
Eu vou envelhecer... e um dia acabar...ela não!
Ela vai ser para sempre, assim como todos os outros que amam os Beatles, pois os sonhos não envelhecem, nem morrem, apenas se renovam...
BEATLES FOREVER!
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
TALVEZ...!!!
Talvez num passado distante eu tenha sido uma bruxa, uma daquelas mulheres de aldeia, que sabiam mexer com as alquimias da vida...Talvez, por isso mesmo, tenha sido queimada viva numa fogueira, sob a acusação de ser uma herege...
Talvez tenha sido por medo dos meus desejos, sonhos, liberdade, brilho, sensualidade, esse foi o meu destino...
Talvez porque eu não tenha desejado ficar no fundo da sala, sentada, nula e muda...
Talvez por causa de eu ter dito muito: eu sinto, eu quero, eu posso, eu vou...
Talvez por ter mexido demais, com aqueles que me queriam dominada, submissa, frágil e ignorante...
Talvez por não ter coberto meu rosto, nem abaixado minha cabeça...
Talvez por não ter permitido que meu corpo fosse apenas objeto do prazer alheio, e que minhas vontades não fossem saciadas...
Talvez por ter tocado nas inseguranças alheias...
Talvez por não ter aceito, pacificamente, o meu destino determinado por terceiros...
Talvez por ter lutado, em não ser apenas bela, eternamente jovem, carinhosa, meiga, reprodutora, quieta, mansa, ingênua...
Talvez por querer escolher meus amores, quantos filhos desejava ter, ou não, e viver minha vida plenamente...
Talvez por ser perdida de amor, talento e loucura...
Talvez pelo direito de ser lúcida, ter luz própria e não ser a continuação de ninguém...
Talvez pela coragem, inteligência, alegria, ousadia, teimosia, birra, eu tenha voltado...
Talvez, agora, eu seja compreendida, respeitada e amada...
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
NA LUZ DOS OLHOS SEUS...
Sempre achei que alguns fatos ocorrem nas nossas vidas, em forma de lição.
Cabe a cada um compreender, ou passar batido sem ligar para o “toque” dado pelo aparente acaso...
Sou advogada e moro no Rio de Janeiro. Por conta desse fato, freqüento o Fórum algumas vezes por semana, saindo quase sempre aborrecida, pela morosidade da justiça, pelos erros, burocracia do sistema judicial brasileiro, injustiças, etc...
Esse fato não é recente, deve ter uns 4 ou 5 anos, porém me marcou profundamente.
Era uma sexta-feira, inverno, 18 horas e chovia. Só quem conhece o centro do Rio, sabe o que significa todos esses itens juntos. Algo parecido com a filial do inferno, pois centenas de pessoas, e seus guarda-chuvas, desejam ir para casa, e acabam cercados por um mar de veículos engarrafados, com ambulantes oferecendo mais guarda-chuvas aos gritos.
Só em imaginar o que me esperava do lado de fora do prédio do Fórum, meu humor não era dos melhores. Preparada para o que me aconteceria: o metrô cheio e o sonho de chegar a casa tomar banho, encontrar a família, esperar meu jantar, ver TV deitada ou mesmo ler um livro, já me davam certo conforto, em enfrentar a guerra que eu tinha pela frente.
Ao abrir meu guarda-chuva, já na rua, percebi uma mulher ao meu lado - ela também tinha saído do Fórum e trazia uma menina de uns 3 anos no colo, com sua bolsa e a mochila da criança. Tal fato é comum, pois o Tribunal de Justiça carioca mantém uma creche para os filhos dos funcionários. Diante dessa mãe funcionária “atrapalhada”, perguntei se não queria uma ajuda para abrir o guarda-chuva.
Cabe a cada um compreender, ou passar batido sem ligar para o “toque” dado pelo aparente acaso...
Sou advogada e moro no Rio de Janeiro. Por conta desse fato, freqüento o Fórum algumas vezes por semana, saindo quase sempre aborrecida, pela morosidade da justiça, pelos erros, burocracia do sistema judicial brasileiro, injustiças, etc...
Esse fato não é recente, deve ter uns 4 ou 5 anos, porém me marcou profundamente.
Era uma sexta-feira, inverno, 18 horas e chovia. Só quem conhece o centro do Rio, sabe o que significa todos esses itens juntos. Algo parecido com a filial do inferno, pois centenas de pessoas, e seus guarda-chuvas, desejam ir para casa, e acabam cercados por um mar de veículos engarrafados, com ambulantes oferecendo mais guarda-chuvas aos gritos.
Só em imaginar o que me esperava do lado de fora do prédio do Fórum, meu humor não era dos melhores. Preparada para o que me aconteceria: o metrô cheio e o sonho de chegar a casa tomar banho, encontrar a família, esperar meu jantar, ver TV deitada ou mesmo ler um livro, já me davam certo conforto, em enfrentar a guerra que eu tinha pela frente.
Ao abrir meu guarda-chuva, já na rua, percebi uma mulher ao meu lado - ela também tinha saído do Fórum e trazia uma menina de uns 3 anos no colo, com sua bolsa e a mochila da criança. Tal fato é comum, pois o Tribunal de Justiça carioca mantém uma creche para os filhos dos funcionários. Diante dessa mãe funcionária “atrapalhada”, perguntei se não queria uma ajuda para abrir o guarda-chuva.
Ela aceitou e só na entrega do guarda-chuva aberto, eu vi. Ela era cega, totalmente cega das duas vistas.
Meu impacto foi tamanho que não consegui me mover. Olhei aquela mulher, a criança que nesse momento cantava uma musiquinha infantil, e vi que ela ainda sorria...
Um pouco refeita, perguntei para onde ela iria; me respondeu que para Avenida Rio Branco, uma artéria importante, onde passam várias linhas de ônibus.
Ela morava em Santa Tereza, um bairro próximo do Centro, e iria tomar o ônibus para casa. Disse que era meu caminho, também, e era verdade, pois minha estação do Metrô fica na própria Avenida.
Perguntei se podia segurar seu braço e ficamos num único guarda-chuva, por ser mais prático para nós duas.
Ela tinha um ótimo humor, e era dona de um sorriso lindo. Foi falando em que cartório trabalhava, que era casada, que ainda faria jantar, cuidar da menina, organizar a casa para o fim de semana... Enquanto ela falava, eu, em silêncio, chorava. Fico imaginando as pessoas que cruzaram com a gente, vendo tal cena. Duas mulheres, uma criança feliz, um guarda-chuva, e eu totalmente molhada, e em lágrimas...
Fiquei com medo de ela perceber minha voz embargada, e ficar constrangida, achando que eu estava com pena dela. Porém era exatamente o contrário: eu estava com vergonha de mim, pena dos meus aborrecimentos pequenos que me preocupavam tanto, diante dessa mulher tão superior e mais forte do que eu.
Imaginava a minha falta total de coragem diante de dois olhos apagados, com meu filhote no colo, podendo ter a criança arrancada dos meus braços.
Ela era uma vitoriosa, alegre, feliz, confiante, especial e eu ali, pequena, medrosa diante dos meus olhos que enxergam perfeitamente, mas que às vezes esquecem de ver a alma dos outros, e pensa egoistamente somente em si.
Ficamos esperando o ônibus, que chegou cheio, ajudei a subir e fiquei parada na calçada olhando a partida do ônibus. Ninguém deu lugar para ela, todos, talvez, cegos de solidariedade ou fechados em seu mundinho individual.
Segui meu caminho, pensando nela, em tudo que tinha aprendido com aquele encontro, tentando me fazer uma pessoa melhor, colocando meus “probleminhas” num universo bem menor. Querendo não me amargurar por tão pouco, aborrecer por pequenas coisas, não perder a doçura por quase nada e viver uma vida mais plena de afeto, pelo meu semelhante.
Meu impacto foi tamanho que não consegui me mover. Olhei aquela mulher, a criança que nesse momento cantava uma musiquinha infantil, e vi que ela ainda sorria...
Um pouco refeita, perguntei para onde ela iria; me respondeu que para Avenida Rio Branco, uma artéria importante, onde passam várias linhas de ônibus.
Ela morava em Santa Tereza, um bairro próximo do Centro, e iria tomar o ônibus para casa. Disse que era meu caminho, também, e era verdade, pois minha estação do Metrô fica na própria Avenida.
Perguntei se podia segurar seu braço e ficamos num único guarda-chuva, por ser mais prático para nós duas.
Ela tinha um ótimo humor, e era dona de um sorriso lindo. Foi falando em que cartório trabalhava, que era casada, que ainda faria jantar, cuidar da menina, organizar a casa para o fim de semana... Enquanto ela falava, eu, em silêncio, chorava. Fico imaginando as pessoas que cruzaram com a gente, vendo tal cena. Duas mulheres, uma criança feliz, um guarda-chuva, e eu totalmente molhada, e em lágrimas...
Fiquei com medo de ela perceber minha voz embargada, e ficar constrangida, achando que eu estava com pena dela. Porém era exatamente o contrário: eu estava com vergonha de mim, pena dos meus aborrecimentos pequenos que me preocupavam tanto, diante dessa mulher tão superior e mais forte do que eu.
Imaginava a minha falta total de coragem diante de dois olhos apagados, com meu filhote no colo, podendo ter a criança arrancada dos meus braços.
Ela era uma vitoriosa, alegre, feliz, confiante, especial e eu ali, pequena, medrosa diante dos meus olhos que enxergam perfeitamente, mas que às vezes esquecem de ver a alma dos outros, e pensa egoistamente somente em si.
Ficamos esperando o ônibus, que chegou cheio, ajudei a subir e fiquei parada na calçada olhando a partida do ônibus. Ninguém deu lugar para ela, todos, talvez, cegos de solidariedade ou fechados em seu mundinho individual.
Segui meu caminho, pensando nela, em tudo que tinha aprendido com aquele encontro, tentando me fazer uma pessoa melhor, colocando meus “probleminhas” num universo bem menor. Querendo não me amargurar por tão pouco, aborrecer por pequenas coisas, não perder a doçura por quase nada e viver uma vida mais plena de afeto, pelo meu semelhante.
sábado, 11 de junho de 2011
TER OU NÃO TER NAMORADO...
Na falta de inspiração maior, eu fico com a ótima crônica de Arthur da Távola...TER OU NÃO TER NAMORADO...
Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas.
Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil. Mas namorado, mesmo, é muito difícil.
Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida; ou bandoleira basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado é quem não tem amor é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, marido, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem amor, carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.
Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira - d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela linda e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.
Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.
Um feliz dia dos NAMORADOS, para quem sabe namorar...
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